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A alimentação saudável e nutrição na infância e adolescência são fundamentais para um crescimento e desenvolvimento saudáveis.
Nesse sentido, as recomendações nutricionais em idade pediátrica assumem particular importância.
No entanto, atualmente, ainda não existem recomendações nutricionais específicas para as crianças e adolescentes portugueses.
Recomendações Nutricionais: Organismos Responsáveis
Existem recomendações nutricionais em idade pediátrica com interesse para a população portuguesa, que se baseiam nas propostas emanadas por organismos internacionais, tais como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).
Para além destas, existem ainda as Dietary Reference Intake (DRI) preconizadas pelo Food and Nutrition Board do Institute of Medicine (FNB/IOM), que apesar de serem as mais utilizadas, são mais antigas e são direcionadas para a população americana.
Neste contexto, as da EFSA revelaram ser as mais adequadas por serem mais recentes e por se focarem na população europeia.
Recomendações Nutricionais em Idade Pediátrica
As necessidades nutricionais representam, por definição, a quantidade de energia e de nutrientes necessários para assegurar as funções vitais do organismo, um adequado desenvolvimento físico e intelectual, assim como prevenir o aparecimento de doenças crónicas.
No caso particular da infância, estas necessidades variam de acordo com a idade, sexo e padrão de crescimento, sendo que as recomendações nutricionais em idade pediátrica correspondem à quantidade de energia e nutrientes estimados para cobrir as necessidades da maioria (mais de 50%) da população desta faixa etária.
As recomendações emanadas pelas entidades supracitadas nem sempre são sobreponíveis, e, embora nos últimos anos tenha havido um esforço por parte da EFSA para a sua uniformização, a comunidade científica ainda não é unânime quanto às recomendações nutricionais a adotar nesta faixa etária.
No entanto, e tendo em conta que a obesidade infantil é já considerado um problema de saúde pública que afeta um número crescente de crianças em Portugal, a prevenção desta epidemia é crucial.
Neste sentido, é essencial orientar a criança para uma alimentação saudável, adequada e equilibrada, que cumpra as recomendações nutricionais preconizadas para esta faixa etária.
Recomendações nutricionais em idade pediátrica: Energia
O cálculo das necessidades energéticas em idade pediátrica baseia-se no dispêndio energético inerente ao processo natural de crescimento, ao desempenho adequado de outras funções vitais do organismo, assim como à prática de atividade física diária.
No entanto, e como já referido, as necessidades energéticas são muito variáveis de criança para criança, sendo a atividade física o fator que mais as influência, já que o trabalho muscular é um grande consumidor de oxigénio e, por conseguinte, de energia.
Desta forma, e embora existam valores padrão preconizados para as necessidades energéticas na infância, estes devem ser sempre ajustados ao contexto de cada criança, no sentido de prevenir desequilíbrios energéticos que poderão conduzir a estados de desnutrição ou sobrenutrição da criança.
Apesar da Unidade do Sistema Internacional para medir a energia ser o Joule, por conveniência, os valores relativos às necessidades energéticas são, normalmente, apresentados em quilocalorias (kcal).
Sexo Masculino
- Idade entre 1 e 3 anos: 1037 Kcal;
- Idade entre os 4 e 6 anos: 1463 Kcal;
- Idade entre os 7 e 10 anos: 1838 Kcal;
- Idade entre os 11 e 14 anos: 2675 Kcal;
- Idade entre os 15 e 18 anos: 3288 Kcal.
Sexo Feminino
- Idade entre 1 e 3 anos: 1000 Kcal;
- Idade entre os 4 e 6 anos: 1350 Kcal;
- Idade entre os 7 e 10 anos: 1838 Kcal;
- Idade entre os 11 e 14 anos: 2675 Kcal;
- Idade entre os 15 e 18 anos: 3288 Kcal.
Nota: 1 caloria = 4,186 Joules
Recomendações para a Energia para a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).
Recomendações Nutricionais em idade pediátrica: Nutrientes
Relativamente aos macronutrientes, mais precisamente, hidratos de carbono, lípidos / gorduras e proteínas, cada um tem um valor energético associado e, mediante as suas funções e papel no organismo, deverá ter um contributo diferente para o valor energético total diário.
Os hidratos de carbono e proteínas fornecem cerca de 4 kcal/g enquanto a gordura fornece cerca de 9 kcal/g.
A nível de contribuição para o valor energético total, o nutriente com mais contributo são os hidratos de carbono, que deverão contribuir para cerca de 45-60% do valor energético total.
Segue-se a gordura, que deverá contribuir com cerca de 20-35% do valor energético e, por último, a proteína, cujas recomendações variam entre 0,83 a 0,9g / Kg / dia.
Não obstante, importa referir que tal como as necessidades energéticas, estas contribuições variam com a idade, sendo que para crianças numa fase mais ativa de crescimento, as necessidades de proteína serão mais próximas dos 0,9g / kg /dia, enquanto o contributo da gordura desce para próximo do limite inferior do intervalo de referência.
Micronutrientes
Esta variação também se aplica aos micronutrientes, visto que as necessidades em determinadas vitaminas e minerais variam consideravelmente com o sexo (por exemplo, as crianças do sexo feminino necessitam de mais ferro do que as do sexo masculino, principalmente após menarca), idade e fase de crescimento da criança (por exemplo, cálcio e vitamina D em fases mais ativas de crescimento).
Por último, é importante salientar que embora tenham sido contempladas neste artigo recomendações nutricionais para toda a idade pediátrica, não estão incluídos alguns casos excepcionais, nomeadamente crianças que pratiquem desporto de alta competição, com patologias que exijam necessidades especiais e casos de gravidez na adolescência.
EM SUMA…
Acima de tudo, o balanço energético deve ser equilibrado, isto é, a criança deve obter a energia adequada ao que vai gastar, visto que o seu défice implicaria a impossibilidade de realizar todas as funções vitais e assegurar um normal crescimento e desenvolvimento enquanto o seu excesso potenciaria o desenvolvimento de obesidade.
Além disso, é sempre importante frisar que as recomendações nutricionais em idade pediátrica deverão ser sempre alcançadas através de uma alimentação completa, equilibrada e variada, diversificando-se os alimentos em cada refeição.